O quarto Montessori

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Você já deve ter ouvido falar sobre quartos Montessorianos, e sobre Maria Montessori. Nos dias atuais existe uma forte tendência na aplicação desse conceito em quartos infantis. Mas de fato, o que é a filosofia Montessoriana?
Quando observamos a obra de Maria Montessori percebemos que o quarto infantil Montessoriano é apenas uma das partes de uma verdadeira filosofia de vida. Preparamos essa matéria pesquisando artigos científicos para você ficar bem informado e saber optar na hora compra.

Quem foi Maria Montessori?

Maria Montessori 1870-1952, foi a primeira mulher na Itália a formar-se em medicina. Desde jovem dedicou-se ao estudo e ao tratamento de crianças tidas como “anormais”. Em seus estudos ela constatou que a questão primordial na educação dessas crianças estava no âmbito pedagógico e não clinico. Ao comparar o que estudara ao método de ensino pedagógico da época, decidiu aplicar seu conhecimento no ensino de toda e qualquer criança, abrindo em 1907 a escola “Casa dei Bambini”.
Mãe e a filosofia Montessori
Menina lendo em quarto montessori
O método de Montessori hoje é qualificado como hermenêutico-empírico, traduzindo livremente “interpretar dados não científicos”. “Suas experiências careciam de um quadro teórico sólido e elas não eram conduzidas nem avaliadas de forma a permitir uma confirmação objetiva. Suas descrições não eram isentas de subjetividade e suas conclusões eram frequentemente parciais ou mesmo expressas de maneira dogmática.” (Röhrs, 2010, p.24).

Na verdade, o método tem caráter experimental e filosófico. E justamente esse é o ponto fascinante de sua obra: "
fazendo experiências e observações precisas em um espírito científico, ela via na fé, na esperança e na confiança, os meios mais eficazes de ensinar às crianças a independência e a confiança em si". (Röhrs, 2010, p.14).

O método Montessori é científico?

Um dos conceitos de base do sistema educativo de Maria Montessori é a “atividade independente”. “Um indivíduo é o que é, não por causa dos professores que ele teve, mas pelo que realizou, ele mesmo”. (Montessori, 1976, p. 92)

Esse processo somente pode ser bem-sucedido se desenvolvido na liberdade, a qual entende-se, anda junto com a disciplina e a responsabilidade. “
As crianças são dotadas de uma compreensão intuitiva das formas de plenitude pela atividade independente. As crianças parecem ter a sensação de seu crescimento interior, a consciência das aquisições que fazem desenvolvendo-se a si mesmas. Elas manifestam exteriormente, por uma expressão de felicidade, o crescimento que se produziu nelas.” (Montessori, 1976, p. 92). Ou seja, a criança traz em si o seu próprio desenvolvimento. Muitas vezes, pais e professores, percebem certos erros como evidentes e acabam por antecipar-se em uma tendência super-protetora e interromper o processo natural de aprendizado da criança.

No seu livro, Pedagogia Científica, na página 17, Montessori escreve em relação a verdadeira escola “...
não é a de quatro paredes, entre as quais as crianças são confinadas, mas a de uma casa onde possam viver em liberdade para aprender e crescer. Essa ideia implica a necessidade de preparar para as crianças um mundo seu, particular, onde elas possam encontrar atividades condizentes com seu desenvolvimento físico e mental. Numa escola Montessoriana, o professor é um convidado, ou alguém que tenha em mente estar a serviço de seus alunos.

“Mas,
Montessori também reconhecia que ao mesmo tempo é necessário encorajar, aprofundar as tendências e os centros de interesse da criança por meio de exercícios, e que o sucesso depende do despertar do senso de responsabilidade e da autodisciplina nas crianças.” (Röhrs, 2010, p.18). Isso é o que ela trouxe de verdadeiramente novo!

“Casas das Crianças” a criança não é guardada ou educada, mas preparada para um livre crescimento moral e intelectual, através do uso de um material científico especialmente construído e a ação das professoras que estimulam e acompanham o ordenamento infantil e o crescimento da criança, sem imposições ou noções, antes favorecendo
o desenvolvimento no jogo, por meio do jogo” (Cambi, 1999, p. 496).

Montessori acreditava que a educação é a grande chave para transformar a sociedade, que a personalidade se forma desde de o início. Que cada indivíduo é um “embrião espiritual” e sua formação resultará na construção do adulto que há de ser. E que desde o início as crianças são seres dotados de inteligência, porém no primeiro estágio logo após o nascimento o aspecto físico predomina. “
A criança vai então ser cuidada após o seu nascimento, considerada antes de tudo como um ser dotado de uma vida psíquica” (Montessori, 1972, p.61). 


Períodos do desenvolvimento



Em sua obra, Montessori dividiu seu estudo em etapas, para ela a autoconstrução do ser, sua formação e estrutura seria fruto de uma força interior, que se realizaria sob a influência do meio e dos períodos do desenvolvimento. Cada período contém características diferentes:

Do nascimento aos 6 anos: Essa fase é essencialmente sensorial. A criança realiza sua própria construção através da exploração e da absorção do ambiente que a circunda.

Dos 6 aos 12 anos: Essa fase é a entrada no mundo da abstração. Os fatos são relacionados à luz da razão, e as perguntas “como?”  e  “por quê?”  tornam-se habituais.

Dos 12 aos 18 anos: O mundo passa a interessa-lo de modo diferente, procura aquilo que deve fazer. Desperta para o problema como causa e efeito.

Quais são os conceitos do Método Montessori?

O Montessori em nossas vidas.

Quando pensando em método Montessori, devemos ter em mente que ele é uma filosofia de vida, e é aplicado na escola, em nossa casa, e principalmente no nosso comportamento em relação as crianças. Respeitar a criança como um indivíduo único e capaz é fundamental.

No Brasil, existem escolas Montessoris, você pode encontra-las através do site da Organização Montessori do Brasil, além de várias dicas e leituras.

Maria Montessori escreve que em casa, devemos dar à criança um ambiente do qual ela possa tirar proveito sozinha. Devemos dar-lhe um ambiente em que ela possa viver e brincar, e, então, nós a veremos trabalhando as mãos o dia todo, e esperando impacientemente para despir e se deitar em sua cama. Móveis com os quais a criança possa interagir e fazer escolhas por si própria, como por exemplo, camas acessíveis onde ela mesma possa abrir e dobrar sozinha o cobertor, uma mesa e cadeirinhas baixas onde ela possa sentar-se e executar tarefas, um lavabo para o seu tamanho, utensílios de cozinha e um pequeno armário onde ela mesma possa guardar seus pertences são interessantes.

Talvez, em sua casa, você não disponha de espaço suficiente para transformar o ambiente todo. Não existe um padrão específico, com normas para tal mobiliário para cada cultura e cada criança é única, e terá um desenvolvimento específico. Soluções com um pequeno banco ou escada pode dar a liberdade necessária aos pequenos, mas é importante que o mesmo seja firme e seguro.

O importante é a organização. O quarto em si deve ser clean e organizado, e os móveis como camas, armários e estantes de livros e gavetas permitam o fácil acesso e manipulação por parte da criança.

Montessori escreve “
O primeiro passo da educação é prover a criança de um meio que lhe permita desenvolver as funções que lhes foram designadas pela natureza. Isso não significa que devemos contentá-la e deixá-la fazer tudo o que lhe agrada, mas nos dispor a colaborar com a ordem da natureza, com uma de suas leis, que quer que esse desenvolvimento se efetue por experiências próprias da criança”. (Montessori, 1972, p. 82).
crianças brincando mesa montessori

A Croft House e o método Montessori.

A Croft House, assim com Maria Montessori acredita que o quarto deve ser construído para a criança, que passa por várias fases de desenvolvimento, respeitando a liberdade e segurança em cada etapa. Em nossa matéria “Como escolher os móveis para o quarto infantil?” é possível verificar as diferentes fases e necessidades atribuídas ao quarto.

Prezamos pela segurança em todos os nossos projetos, nosso mobiliário tem padrão internacional de qualidade. Mas, a segurança não deve ser confundida com a superproteção.  Segurança é necessária para não causar acidentes graves, já a superproteção tende a atrasar ou inibir o desenvolvimento da criança, como consta na obra de Maria Montessori.
É preciso estimular e encorajar também as crianças, pois é através do exercício que elas vão desenvolver o senso de responsabilidade.

Possuímos uma linha de móveis transformáveis que se adaptam a cada fase e possuem multifuncionalidades. São camas, armários, estantes, organizadores de brinquedos e livros que podem assumir diferentes configurações e funções e acompanham o crescimento. Além de peças como a escada portátil, muito útil para adaptar o ambiente a criança, principalmente no lavabo, cozinha ou na cama.

Referências:


www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4679.pdf

periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/viewFile/6544/5274

omb.org.br/